POR QUE DONALD TRUMP PODE SER O MAL NECESSÁRIO RESIDUAL?
(3 min de leitura- Publicado em 25 de julho de 2024 no Linkedin).
Após a desistência da corrida
eleitoral declarada pelo Presidente Joe Biden, no último domingo (21/07), sua
Vice-Presidente, Kamala Harris, foi formalmente indicada pelo Partido Democrata
para disputar as eleições presidenciais de 2024.
Embora a candidata tenha
apresentado performance pior do que a de Biden nas pesquisas de intenção de
voto dos últimos meses, o cenário sofreu uma repentina guinada, com as novas pesquisas já apontando a
candidata em empate técnico com Donald Trump, considerando a margem de erro.
É, decerto, uma situação
inesperada, sobretudo tendo em consideração a personalidade quase messiânica
frequentemente atribuída pela mídia a Trump, após ter sobrevivido ao atentado,
dia 13 de julho, que por pouco não lhe ceifou a vida.
Em que pese a imagem mais
carismática e amistosa apresentada pela candidata democrata, em cediço
contrastaste ao ultrarradical verborrágico republicano, há consenso no sentido
de que Kamala, eventualmente eleita presidente, há de seguir à risca a cartilha
democrata amiúde praticada por seu predecessor Biden. O que, por si só, é
motivo de preocupação.
O discurso democrata, geralmente
mais à esquerda do espectro político, orientado a grupos vulneráveis, propondo
políticas sociais inclusivas, reformas progressistas, transição para matriz
energética limpa e tantas outras causas populares, não se traduz em ações
igualmente cuidadosas e responsáveis na condução da política externa. Muito
pelo contrário.
Não à toa, se atribui, com
frequência, o envolvimento dos EUA em diversas guerras, justamente travadas
durante governos democratas. Teoria que tem se provado ante à escalada
desenfreada das tensões entre EUA e Rússia, no tocante à guerra da Ucrânia;
entre EUA e China, acerca da eventual anexação forçada de Taiwan pelos
chineses; e entre EUA e Irã, notadamente no que pertine ao apoio incondicional
a Israel na guerra contra o Hamas e o Hezbollah – grupos militares apoiados
pelo governo de Teerã.
É evidente o fim da outrora
denominada Pax Americana, trazendo à luz uma nova ordem mundial, cuja hegemonia
se vê protagonizada por diversos atores, agora em um cenário de
multipolaridade. Nesse teatro geopolítico moderno, a abordagem do atual governo
democrata não parece estar surtindo efeito. Muito pelo contrário, tem
contribuído para estreitar os laços da chamada “aliança sem limites” entre
Rússia e China. As duas superpotências têm superado suas diferenças e disputas
territoriais em prol de um propósito comum: desbancar a supremacia
norte-americana.
Nessa toada, é que se faz mister
a seguinte indagação: seria Donald Trump o mal necessário residual? Creio que
sim. Dada a falta de opções ora postas à mesa. Senão, vejamos.
Trump é essencialmente um
demagogo que se aproveita de um cenário de polarização e ideologização política
muito acentuado. Ele precisa adotar discursos fortes e extremados para
conquistar as massas. É o estilo dele e de seu eleitorado. Todavia, na prática,
comandando o Governo Federal, a tendência é que não se aplique metade dos
"exageros" rotineiramente pregados durante sua campanha. Até mesmo
porque, para implementar a maior parte de suas ideias, há que se conquistar a
aprovação no Congresso. Encontrando, pois, muita resistência, especialmente em
se tratando de medidas extremadas – a exemplo da construção do muro na
fronteira com o México.
Mas o fato é que, no atual
cenário que se apresenta, é preciso que se retome o diálogo entre a Casa Branca
e o Kremlin, evitando o agravamento da já crítica dependência econômica e
estratégica da Rússia com a China. E, para esse propósito, a estranha relação
amistosa de Trump com Vladimir Putin pode ser muito mais do que conveniente -
seria decisiva!
O republicano já surpreendeu o
mundo se tornando o primeiro presidente norte-americano a pisar em solo
norte-coreano em 2019, negociando diretamente com Kim Jong-um o fim de seu
programa nuclear. E, ainda que seus esforços não tenham sido bem-sucedidos, vindo
a Coreia do Norte a se tornar uma potência nuclear plena, há que se reconhecer
seu pragmatismo, mantendo o diálogo com nações rivais em situações extremamente
desafiadoras.
Por todo o exposto, Donald Trump está longe de ser o candidato ideal à presidência da nação, ainda, mais poderosa do mundo, no entanto, dadas as opções, parece ser o mal necessário residual para as eleições de 2024.
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