F-14 TOMCAT: O LENDÁRIO CAÇA AMERICANO APOSENTADO, AINDA A SERVIÇO DO IRÃ

 


(5 min de leitura)


Em 1970, auge da Guerra Fria, quando ainda não era bem-desenvolvida a tecnologia dos mísseis balísticos intercontinentais, a maior ameaça de um ataque nuclear soviético aos Estados Unidos da América (EUA) consistia nos mísseis de cruzeiro nucleares transportados por aviões bombardeiros.

 

Para neutralizar essa ameaça, os EUA desenvolveram seu então mais moderno caça de 4ª geração, o F-14, para missões de supremacia aérea e interceptação de defesa da frota, cujo projeto, desenvolvimento e construção multibilionários custaram mais até do que o Projeto Manhattan, que desenvolveu as bombas atômicas lançadas sobre Hiroshima e Nagasaki.

 

O caça bimotor supersônico (velocidade máxima de Mach 2,34), com asas de geometria variável, Grumman F-14 Tomcat, possuía cabine para um piloto e um oficial operador do moderno sistema de radar. A aeronave foi batizada em homenagem ao Almirante Richard Connolly, de codinome “Tomcat”, que havia servido na US Navy durante a 1ª e 2ª Guerras Mundiais.

 

O F-14 voou pela primeira vez em 21 de dezembro de 1970, sendo introduzido em 1974 exclusivamente na Marinha americana. No entanto, tornou-se mundialmente conhecido por ser o principal caça utilizado pelo Programa de Instrutores de Táticas de Caças de Combate da Marinha na obra de ficção “Top Gun”, de 1986, um apoteótico sucesso de bilheteria dos cinemas, que rendeu o prêmio de melhor filme do People's Choice Awards, com orçamento na ordem de discretos US$ 15 milhões e receita recordista, à época, de US$ 357,3 milhões. O sucesso do filme “Top Gun” foi tão estrondoso que deflagrou o aumento de 500% no recrutamento do serviço voluntário da Marinha e da Força Aérea dos EUA no ano de seu lançamento.

 

Estruturalmente, as asas de enflechamento variável do Tomcat podiam alterar seu ângulo de 20 a 68 graus automática ou manualmente. Configurações que permitiam otimizar as características de voo tanto para alta velocidade, proporcionando menor arrasto aerodinâmico, quanto para maior manobrabilidade, garantindo maior sustentabilidade à menor velocidade. Quando baseado em porta-aviões, suas asas podiam atingir os 75 graus para economizar espaço na sua acomodação. Um sistema muito sofisticado, porém, excessivamente pesado.



 

Não à toa, o Tomcat foi o maior e mais pesado caça baseado em porta-aviões da história dos EUA, sendo o único caça norte-americano que operava o lendário míssil AIM-54 Phoenix (equipado com até seis unidades, com alcance de até 190 km e velocidade até 5x a do som), em conjunto com o radar Hughes AN/AWG-9 e seu controlo de fogo AWG-17, que detectava bombardeiros a 315 km, caças a 215 km e mísseis teleguiados de cruzeiro a mais de 120 km, capaz de rastrear 24 alvos e, simultaneamente, disparar orientando mísseis contra seis deles.

 

Em linhas gerais, seu sistema de armas fazia do F-14 o caça mais letal do mundo no combate à longa distância. Mas por que, então, foi aposentado tão precocemente, em 2006, enquanto caças da mesma época, como o F-15 e o F-16, permanecem em serviço ativo com diversas atualizações? E a resposta não seria outra, senão o bom e velho binômio: custo-benefício! Seu peso elevado e a alta complexidade dos sistemas faziam do Tomcat uma aeronave muito custosa, demandando cerca de impressionantes 30 a 60 horas de complexa manutenção para cada hora de voo!

 

Além disso, após o fim da União Soviética nos anos 1990, o F-14 ainda operou por mais 15 anos, mas, como o risco de um ataque nuclear parecia cada vez mais improvável, essa custosa aeronave foi substituída pelo caça F/A18 Hornet, que é menor, mais moderno e mais barato, contudo, igualmente eficiente – hoje considerado a espinha dorsal da US Navy, já na sua versão atualizada, o F/A18 Super Hornet.

 

A título de ilustração, consideremos que um F-14, em 1973, custava US$ 38 milhões, não muito se comparado aos caças de 5ª geração atuais, todavia, ajustando pela inflação, aquele valor corresponde a inacreditáveis US$ 268,8 milhões hoje. Isso é mais caro até do que o caça Lockheed Martin F-22 Raptor, o caça mais moderno e letal do mundo, por US$ 137 milhões a unidade.

 


Curiosamente, mesmo aposentado nos EUA, o F-14 continua em serviço ativo em um único país. Justamente na Força Aérea do Irã (IRIAF), um dos maiores inimigos da América.

 

Isso porque, nos anos 1970, o Irã era um importante aliado dos EUA, uma espécie de bastião contra a expansão da influência soviética no Oriente Médio. O então líder da monarquia iraniana, Xá Reza Pahlavi, encomendou 80 unidades do F-14, todavia, apenas 79 foram efetivamente entregues. Sendo o último retido nos EUA, após a Revolução Islâmica no Irã, que destituiu o Xá em 1979.

 

Estima-se que há ainda cerca de 15 a 25 caças F-14 em operação no Irã, já com mais de 45 anos de uso. Para evitar o extravio de peças de reposição, retiradas dos caças F-14 aposentados nos EUA, a maior parte dos 712 caças remanescentes foram destruídos pelos norte-americanos, restando apenas 11.

 


Certamente, esse caso particular do F-14 Tomcat compor, hoje, parte da frota aérea iraniana serviu de gatilho para a aprovação da Lei de Apropriações do Departamento de Defesa dos EUA, que em sua seção 8103 afirma expressamente: "Nenhum dos fundos disponibilizados nesta Lei pode ser usado para aprovar ou licenciar a venda do caça tático avançado F-22 a qualquer governo estrangeiro".

 

Isto é, os norte-americanos aprenderam, na prática, que seu caça de supremacia aérea mais moderno e letal, atualmente o F-22, não deve ser compartilhado sequer com nações aliadas, sob pena de ter suas máquinas supermodernas, eventualmente, armando frotas inimigas no futuro.

Comentários

  1. Excelente! Me lembre de jamais jogar Super Trunfo contra você! hahahahaha

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    1. Hahaha... Xará, você é sempre divertido. Obrigado pelo feedback, meu amigo.

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